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AUTOCOMPAIXÃO: UM OLHAR PARA NÓS MESMOS

Mais uma segunda-feira e mais uma promessa de iniciar a dieta. No primeiro dia vai tudo bem, a motivação está lá em cima! Os dias começam a passar e os desafios a aparecer. E num dia de muito estresse no trabalho você chega em casa acreditando que “merece” comer aquele doce gostoso. A cada mordida você se delicia, mas logo em seguida aparecem alguns sentimentos e pensamentos não muito delicados a seu próprio respeito: “Eu sou péssima! Mais uma vez furei a dieta”, ou “Eu sou uma fraca!” e por aí vai.

Reconheceu-se na cena acima? Esse processo de autocrítica é muito comum entre as pessoas. Normalmente, ele acontece quando reconhecemos que não alcançamos um objetivo traçado. O problema é que podemos ser muito duros em relação a nós mesmos, sendo nosso mais cruel crítico. As possíveis consequências desses pensamentos são dor emocional, dúvida sobre seu próprio potencial e perda de esperança ou de motivação. A autocrítica muito severa não está relacionada à melhor produtividade, ela pode nos trazer prejuízos em nossa autoconfiança, autoestima e motivação, e uma alternativa à ela é a autocompaixão, usando a autoavaliação como uma ferramenta e, a partir daí, traçar novas alternativas para essa situação.

Sentimos compaixão quando conseguimos reconhecer o sofrimento da outra pessoa, em seguida experienciamos um sentimento de bondade em relação à ela e, por fim, reconhecemos a nossa condição humana imperfeita, em que a falha é normal. A autocompaixão envolve essas etapas, mas o direcionamento desse olhar é para nós mesmos! Devemos olhar com bondade e gentileza para o nosso sofrimento, entender e aceitar que essa dor que hoje eu sinto faz parte da experiência humana.

Os principais componentes da autocompaixão são a bondade ou gentileza com você mesmo, a humanidade compartilhada e a atenção plena. Ao sermos gentis com nós mesmos, evitamos a tendência de recriminação frente à uma falha. Isso permite que sejamos tão amorosos com nós mesmos como somos com os outros.

A humanidade compartilhada refere-se à ideia de que todos falham, cometem erros e experimentam dificuldades na vida. Isso parece óbvio, mas tendemos a esquecer quando quem erra somos nós mesmos! Temos a falsa crença de que tudo deve correr dentro do planejado. Quando isso não acontece, tendemos a não ser racionais; sofremos como se isso acontecesse somente com a gente (“Todo mundo consegue seguir uma dieta, menos eu”). O que nos esquecemos é que a dor faz parte da experiência humana.

A Atenção Plena, no caso da autocompaixão, refere-se a estar consciente das experiências vivenciadas de uma maneira clara e equilibrada. Permitir-se entrar em contato com todos os pensamentos, emoções e sensações, para que possamos reconhecer a dor e estar com ela por tempo suficiente para responder com amor e gentileza.

Estudos vêm mostrando que a prática de autocompaixão traz uma série de benefícios, como uma maior felicidade e satisfação com a vida, maior autoconfiança, saúde física. Por outro lado, também auxilia na diminuição de depressão, ansiedade, estresse e vergonha. E para finalizar, vale reforçarmos três principais pontos para que você exercite sua autocompaixão e reduza sua autocrítica: você pode se amar, dar carinho e cuidado a você mesmo; você pode se lembrar que a dor e os momentos difíceis fazem parte da experiência humana; e você pode lidar com o que acontece dentro de você com carinho e aceitação. E como disse Kristin Neff, referência quando o assunto é autocompaixão, “No fim das contas você só precisa relaxar, permitir que a vida seja como ela é abrir seu coração para si mesmo. É mais fácil do que você imagina e pode mudar sua vida.”

Talita Yarak Buchalla
COLUNA SAÚDE MENTAL: A psicóloga clínica analítico comportamental atuante em Jales/SP traz informações sobre a importância de cuidar do nosso psicológ

DELÍCIAS E DORES DO RUMO IGNORADO

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