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ZUMBIDO: DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO

O zumbido é uma queixa que cada dia mais se apresenta no cotidiano de milhões de pessoas. Sob um ponto de vista simples, é a percepção de um som que não está sendo gerado no meio ambiente naquele momento. Se extrapolarmos os dados internacionais para nossa população, é possível que, cerca de 28 milhões de brasileiros, já tenham tido alguma forma de zumbido.

Na maioria das vezes, o zumbido é um sintoma de acometimento de qualquer parte via auditiva, desde a orelha externa até o córtex auditivo. Por isso, ele não é considerado uma doença, mas sim um sintoma que pode ter diversas causas, sejam elas provocadas por doenças otológicas ou que afetam secundariamente o nosso organismo (alterações metabólicas, cardiovasculares, neurovasculares, farmacológicas, odontológicas e psicogênicas). Cerca de 90% dos pacientes com zumbido tem perda auditiva ao exame de audiometria tonal, mesmo que a perda auditiva não seja a queixa principal.

Entre 25 e 45% dos pacientes com queixa de zumbido tem intolerância a sons. Na prática, isto atinge adultos e crianças e podem provocar repercussão negativa na vida diária. Sabemos que alguns hábitos alimentares podem influenciar no zumbido. O abuso de cafeína, tendência a jejum prolongado (não tomar da café da manhã ou não ter tempo para almoçar), abuso de doces ou de carboidratos. É importante também investigarmos os antecedentes pessoais e co-morbidades (diabetes, hipertensão, hiperlipidemia, cardiopatias e depressão).

Em vários estudos nota-se alterações nas taxas de glicemia e colesterol, com isso vemos claramente que essas alterações metabólicas são frequentes em pacientes com zumbido e o seu controle é necessário. Dependendo dos resultados e exames laboratoriais, deve se prosseguir com outros exames subsidiários. Não há regras para serem definidas em todos os casos e a preferência por um ou outro exame depende muito da história clínica. Após isso, damos ênfase as orientações ao paciente e tratamento que pode ser com medicamentos.

Estudos tem demonstrado que devemos estimular precocemente os ouvidos com perda auditiva, na presença de zumbido ou não. O objetivo é evitar que as células nervosas se reorganizem de forma indesejada, porque quanto maior o tempo sem estimulo, maior a dificuldade para readaptação. A abordagem da perda auditiva também faz parte do tratamento para zumbido, se a perda auditiva for considerada importante, seja pela audiometria ou pela restrição relatada pelo paciente. Neste caso solicitamos ao paciente que teste um aparelho de amplificação sonoro.

Devemos ressaltar que, para aqueles pacientes com zumbido, porém sem perda auditiva existe a possibilidade de adaptação de aparelho auditivo com programação seletiva para tratamento. Portanto, cada dia a terapia tem se mostrado mais efetiva, pois tem sido objeto de muitos estudos a respeito de sua patogênese e novas terapêuticas têm surgido com base nesse novos conhecimentos. A possibilidade de melhor controle do sintoma e melhora na qualidade de vida global tem ajudado a diminuir e até mesmo cessar este sintoma tão incômodo ao paciente.

Dra. Ana Carla Marqui
COLUNA NARIZ, OUVIDO E GARGANTA: A médica otorrinolaringologista atuante em Jales/SP fala um pouco sobre os problemas que acometem a nossa saúde e as

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